terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Com sua licença, essa sou eu

Não, eu não uso photoshop nas minhas ideias, nos meus pensamentos, nas minhas convicções. Não tenho interesse em agradar A ou B, nem de ser politicamente correta o tempo todo. Muito menos de me preservar. Eu preservo, em primeiro lugar, a coerência do que sou com o que digo, do que penso com o que ajo, do que aprendo com o que ensino. Ou, ratifico, não seria eu.

Somos livres para dizer o que queremos, e temos o dever de aprender a aceitar as diferenças, pois essa é a condição para que a verdadeira democracia sobreviva e se efetive. Também não critico, nem condeno os que pensam diferente de mim, os que agem diferente de mim, deixo-os em paz, com seus pensamentos, mas quero a recíproca.

Creio que o silêncio carregue julgamentos, que esconda algo pensado e não dito. A palavra, pra mim, é sempre mais justa e sincera, pois dá a oportunidade da defesa e principalmente, do contraponto sadio.

Tenho mais medo dos que silenciam em público, e utilizam-se dos bastidores, para se preservarem. Não é uma crítica, é apenas uma constatação. Eu prefiro essa transparência. Também respeito quem prefere ficar na posição confortável do observar.

Quando a gente entra numa rede social, sempre haverão aqueles que interagirão, e os outros que apenas observarão. Gosto mais dos que interagem, honestamente. Dos que me observam, boa parte está a me julgar. E isso é o que eu acredito ser o cômodo, o oportuno. Não quero aqui dizer que não gosto dos que observam. Não mesmo! Apenas espero deles, que além de observar e optarem por não interagir, respeitem a maneira com que cada um decide agir ou simple e naturalmente se comporta.

Ontem eu conversava com uns amigos e dizíamos que tá ficando um saco esse negócio de ter que cuidar o tempo todo o que se fala, porque pessoas se ofendem até com um :( ou um ;) ou um \o/ que você publica. Há um exagero do politicamente correto, que todos os dias mudam a forma como devemos nos referir à alguém ou a um grupo de pessoas, como se o que está, de fato, por trás delas ou incrustado nelas fosse mudar, como se sua condição mudasse, em função da forma como me manifesto sobre elas. Minha conduta é humana, é simples, não tem rusgas eminentes, não é esse meu intuito. Se eu escrever aqui sobre os portadores de necessidades especiais, não quero ofender ninguém, e sei que são pessoas iguais a quaisquer outras, não é a nomenclatura que vai mudar o que eu penso sobre elas.

Chamo o branco e o negro de "cara",  a mulher e a guria de "moça", por simples hábito, mas se um dia quisesse chamar o idoso de "velhinho", qual o problema? Mudou o significado da palavra "velho" no dicionário? Passou a ser xingamento? é isso?
Acho horroroso chamar um negro de moreno, como se dizer "negro" fosse uma ofensa. Que merda é essa? Quem inventou essa joça? Não, eu to fora.

Não me rotulem, não me criem carapaças, me deixem transpirar naturalmente, deixem-me dizer o que sinto e o que penso. Trinta e sete anos já me permitem alguma autoridade sobre mim mesma ou não ainda?

O silêncio carrega julgamentos, esconde algo pensado e não dito. A palavra é mais justa e sincera, pois dá a oportunidade da defesa e principalmente, do contraponto.